Nova licença-paternidade: o que muda para empresas e trabalhadores

A licença-paternidade passou por mudanças relevantes com a publicação da Lei nº 15.371/2026. A norma altera regras trabalhistas e previdenciárias e, além disso, impacta diretamente empresas e trabalhadores.

A legislação regulamenta o art. 7º, XIX, da Constituição Federal e o art. 10, §1º, do ADCT. Assim, estabelece um novo modelo para o afastamento do pai em casos de nascimento, adoção ou guarda.

Licença-paternidade: novo prazo será ampliado até 2029

A ampliação da licença-paternidade será gradual:

  • 2027: 10 dias
  • 2028: 15 dias
  • 2029: 20 dias

Até 2026, permanece o prazo atual de 5 dias, conforme o art. 10, §1º, do ADCT. Portanto, empresas e trabalhadores precisam se preparar desde já para essa transição.

Salário-paternidade: como funciona o novo benefício

Além da ampliação do prazo, a lei institui o salário-paternidade no âmbito do RGPS. Na prática, o trabalhador continua recebendo normalmente. No entanto, a empresa realiza o pagamento e, posteriormente, compensa o valor junto ao INSS.

Além disso, o benefício passa a alcançar mais categorias, como:

  • autônomos;
  • microempreendedores individuais (MEIs);
  • empregados domésticos.

Dessa forma, a proteção deixa de ser restrita ao regime CLT.

Estabilidade no emprego após a licença-paternidade

A nova lei também estabelece estabilidade provisória durante a licença e até 30 dias após o retorno ao trabalho.

Para empresas, isso exige cautela em desligamentos. Para trabalhadores, representa uma proteção adicional contra demissão sem justa causa.

Quando a licença-paternidade pode ser maior

A legislação prevê situações específicas de ampliação do afastamento:

  • falecimento da mãe;
  • adoção ou guarda unilateral;
  • ausência do nome da mãe no registro;
  • nascimento de criança com deficiência (acréscimo de 1/3);
  • internação da mãe ou do recém-nascido.

Nesses casos, o período pode se aproximar da licença-maternidade.

Pontos de atenção para empresas e trabalhadores

Para empresas

  • revisar políticas internas e normas de RH;
  • ajustar processos de folha e compensação com o INSS;
  • controlar corretamente os períodos de afastamento;
  • observar a estabilidade provisória.

Para trabalhadores

  • acompanhar prazos e regras da licença-paternidade;
  • garantir o afastamento efetivo das atividades;
  • verificar o pagamento correto do benefício;
  • conhecer os casos de ampliação ou suspensão.

A lei também prevê que o benefício pode ser suspenso em situações como ausência de afastamento real ou descumprimento de obrigações legais.

Licença-paternidade: impacto prático da nova lei

A mudança vai além do aumento de dias. A nova estrutura da licença-paternidade altera a forma de gestão do afastamento e cria novos pontos de atenção jurídica.

Para empresas, o foco está em prevenção de riscos e organização interna. Para trabalhadores, a ampliação representa mais proteção e participação no cuidado com os filhos, mas com regras que precisam ser observadas.

A adaptação antecipada tende a reduzir riscos trabalhistas e garantir o cumprimento correto da nova legislação.

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